Como calcular o ponto de equilíbrio de uma lanchonete

Para calcular o ponto de equilíbrio de uma lanchonete, divida os gastos fixos do mês pelo que sobra de cada venda depois de pagar os custos variáveis. O resultado é o valor que precisa entrar no caixa para o mês fechar sem lucro e sem prejuízo. Abaixo, as perguntas mais comuns sobre o assunto, com uma conta de exemplo.

O que é ponto de equilíbrio, em palavras simples?

É o faturamento mínimo do mês para pagar todas as contas. Abaixo dele, a lanchonete fecha o mês no prejuízo. Acima dele, começa a sobrar lucro.

Pense assim: no dia 1º o mês já começa devendo aluguel, salário, luz e gás. O ponto de equilíbrio mostra quanto é preciso vender até pagar tudo isso. Só depois disso o dinheiro que entra vira lucro.

Quais contas entram no cálculo?

São dois grupos de gasto.

Gastos fixos

São os que chegam todo mês, vendendo muito ou pouco:

aluguel salários e encargos de quem trabalha na chapa e no balcão retirada do dono, quando existe energia e gás de cozinha (em geral, uma média do mês) internet, contador, sistema, mensalidade da maquininha

Gastos variáveis

São os que crescem junto com as vendas:

pão, carne, queijo, molho, embalagem taxa de cartão (percentual sobre cada venda) comissão de aplicativo de delivery impostos cobrados sobre a venda, quando houver

Qual é a fórmula do ponto de equilíbrio?

Primeiro, calcule a margem de contribuição. É a parte de cada R$ 1,00 vendido que sobra depois de pagar os custos variáveis. Essa sobra é o que ajuda a pagar os gastos fixos.

Margem de contribuição (em %) = 100% − custos variáveis (em %) Ponto de equilíbrio (em R$) = gastos fixos ÷ margem de contribuição

Como fica a conta numa lanchonete pequena? (exemplo ilustrativo)

Os valores abaixo são ilustrativos. Cada negócio tem números diferentes, então troque pelos seus.

Gastos fixos do mês (exemplo):

| Item | Valor (exemplo) | |---|---| | Aluguel | R$ 2.000,00 | | Um funcionário | R$ 2.200,00 | | Retirada do dono | R$ 2.500,00 | | Energia e gás | R$ 900,00 | | Internet, contador e outros | R$ 400,00 | | Total | R$ 8.000,00 |

Somando: R$ 2.000 + R$ 2.200 + R$ 2.500 + R$ 900 + R$ 400 = R$ 8.000.

Custos variáveis (exemplo): de cada R$ 100,00 vendidos, R$ 35,00 vão para ingredientes e embalagem e R$ 5,00 para taxa de cartão. Ou seja, 35% + 5% = 40%.

Margem de contribuição: 100% − 40% = 60%, ou 0,60. Em cada R$ 100,00 vendidos, sobram R$ 60,00 para pagar os gastos fixos.

Ponto de equilíbrio: R$ 8.000,00 ÷ 0,60 = R$ 13.333,33 por mês.

Nesse exemplo, a lanchonete precisa vender cerca de R$ 13.333,00 no mês só para pagar as contas. Abaixo disso, dá prejuízo.

Quanto isso dá por dia e por lanche?

A conta fica mais fácil de acompanhar quando vira meta diária. Considere, no exemplo, 26 dias de funcionamento e ticket médio (valor médio de cada pedido) de R$ 25,00 (valores ilustrativos).

Por dia: R$ 13.333,33 ÷ 26 = R$ 512,82 Pedidos por dia: R$ 512,82 ÷ R$ 25,00 = 20,5 pedidos, ou seja, uns 21

São uns 21 pedidos por dia só para empatar. Num dia fraco de chuva, por exemplo, com 12 pedidos (exemplo ilustrativo), a diferença vai para o prejuízo do mês.

E se a lanchonete quiser ter lucro?

O ponto de equilíbrio é o piso, não a meta. Para incluir um lucro desejado, some o valor ao gasto fixo antes de dividir.

Exemplo ilustrativo, com lucro desejado de R$ 2.000,00 por mês:

(R$ 8.000,00 + R$ 2.000,00) ÷ 0,60 = R$ 16.666,67

Ou seja, para o mês sobrar esse valor, o faturamento precisa chegar perto de R$ 16.667,00 nesse exemplo.

Como baixar o ponto de equilíbrio?

Só há três caminhos, e todos mexem na conta acima:

Reduzir gastos fixos. Renegociar aluguel, ajustar a escala de quem trabalha, rever o plano de internet. Reduzir custo variável. Ajustar porções, comprar melhor, rever a embalagem. Aumentar a margem de contribuição pelo preço. Se o preço do lanche sobe e o custo continua igual, sobra mais de cada venda e o ponto de equilíbrio cai.

O terceiro caminho depende de saber o custo real de cada lanche. Sem isso, o preço vira palpite e a margem de contribuição da conta acima fica apenas estimada.

Com que frequência refazer a conta?

Sempre que um gasto fixo mudar (reajuste de aluguel, novo funcionário) ou quando os insumos subirem. Muita gente que vende lanche faz a conta uma vez e nunca mais olha. Uma revisão por mês, no fechamento, já evita surpresa.

Perguntas frequentes

Ponto de equilíbrio é o mesmo que lucro?

Não. No ponto de equilíbrio o lucro é zero: o dinheiro das vendas cobre os custos e nada mais. O lucro só aparece quando as vendas passam desse valor.

O salário do dono entra nos gastos fixos?

Deve entrar. Se a retirada ficar fora da conta, o ponto de equilíbrio parece menor do que é, e o dono trabalha sem receber. Defina um valor de retirada e trate como qualquer outro gasto fixo.

Dá para calcular com poucos dados?

Dá. Basta uma lista dos gastos fixos do mês e uma estimativa do percentual de custo variável. Com o tempo, ajuste com números reais do caixa e das compras.

O ponto de equilíbrio muda de mês para mês?

Muda. Aluguel, salário, preço de insumo e taxas variam. Por isso vale refazer a conta periodicamente.

Onde o CookCents entra nessa conta

O percentual de custo variável da fórmula começa no custo de cada lanche, e é aí que muita conta empaca. No CookCents, ingredientes e embalagens são cadastrados em cada receita, e o custo por unidade é recalculado quando o preço de um insumo muda. As demais despesas do negócio entram no markup, o número que multiplica o custo da receita para chegar ao preço de venda, junto com o lucro desejado. O resultado é um preço sugerido que já cobre o custo do lanche, as despesas e a margem que o dono quer, sem planilha.

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Fontes

Todos os números deste artigo são exemplos didáticos e ilustrativos, sem dados externos.